Quem emite nota fiscal já pode testar IBS e CBS em ambiente de homologação. Os grupos de IBS e CBS passaram a valer em homologação em 01/07/2026, e a melhor hora de errar é agora, quando a rejeição não trava o faturamento. Este roteiro reúne três notas que vale a pena testar antes da virada e o que conferir em cada uma.

Por que testar em homologação

A nota fiscal ganhou um bloco por item que descreve a tributação de IBS e CBS: base, CST, classificação tributária (cClassTrib), alíquotas e reduções. A NFe.io registra que, em homologação, a nota sem esse grupo é rejeitada com o código 1115. Testar com antecedência mostra, no ambiente de teste, o que o seu cadastro e as suas regras ainda não entregam.

A Sovos recomenda validar quatro pontos antes da obrigatoriedade: o cálculo de CBS, IBS da UF e IBS do município; a geração correta dos grupos de IBS e CBS no XML; o alinhamento entre ERP, motor de cálculo e mensageria fiscal; e os cenários críticos, como devoluções e notas de débito e crédito.

Nota 1: venda

É a nota que a empresa mais emite e a primeira a testar. Em cada item, confira:

  • se o grupo de IBS e CBS foi gerado no XML;
  • se o CST combina com o cClassTrib (a Taxcel lista a classificação incompatível com o CST entre as rejeições mais comuns);
  • se os valores fecham, isto é, se o valor da CBS é igual à base multiplicada pela alíquota;
  • se o total de IBS e CBS da nota é igual à soma dos valores de cada item, já que o totalizador que não bate também aparece entre as rejeições.

Nota 2: devolução

É a que mais mudou nas últimas semanas. A NT 2025.002 versão 1.52 ajusta a validação de devoluções considerando se a nota original é de saída. A Receita adiou a implantação dessa versão, junto com as NT 2026.007 versão 1.10 e 2026.008 versão 1.00: a homologação passou para 26/10/2026 e a produção para 16/11/2026. O comunicado não indica mudança no conteúdo das versões, apenas nas datas.

O que testar: a devolução de uma venda já emitida com IBS e CBS, conferindo o retorno da validação. A Taxcel aponta um erro frequente nesse caso, que é usar a alíquota do ano corrente em vez da alíquota histórica da nota original.

Nota 3: crédito e débito

As notas de débito e crédito também estão entre os cenários críticos que a Sovos recomenda validar. Se a empresa as emite, inclua pelo menos um caso de cada no roteiro e guarde o XML e o retorno da validação, como nas outras notas.

As rejeições mais comuns

Segundo a Taxcel, as rejeições de IBS e CBS no XML da NF-e se agrupam em quatro famílias: classificação tributária (cClassTrib inexistente, incompatível com o CST ou regime diferenciado sem amparo no NCM), cálculo e alíquota (valor que não fecha, alíquota acima do teto na fase de teste), totalização (o total de IBS e CBS diferente da soma dos itens) e operações específicas (devolução com a alíquota errada, exportação e consumidor final com dados inconsistentes). Em todas, a correção exige validar campos cruzados, como CFOP, destino e CST, e não cada campo isolado.

Checklist de cinco passos

  1. Emita uma nota de venda de teste com IBS e CBS e confira o grupo, o CST, o cClassTrib e os totais.
  2. Emita uma devolução dessa venda e registre o retorno da validação. Repita quando a NT 2025.002 v1.52 entrar em homologação, em 26/10.
  3. Inclua uma nota de crédito e uma de débito, se a empresa as emite.
  4. Guarde o XML e a mensagem de retorno de cada teste para comparar depois.
  5. Para cada rejeição, corrija a causa no cadastro ou na regra, e não apenas na nota.

Quer ajuda para montar esse roteiro de testes no seu ambiente? Fale com a ELR Solutions.

Fontes

  • Sovos, Reforma Tributária: NF-e e NFC-e sem IBS/CBS
  • NFe.io, documentação da adequação à NT 2025.002-RTC v1.50
  • Taxcel, rejeições de IBS e CBS no XML da NF-e
  • Contábeis, NF-e: implantação de três Notas Técnicas tem novas datas (06/10/2026)
  • Reformatributaria.com, Receita adia homologação de notas técnicas sobre devoluções, emissão sem IE e valor do produto (05/10/2026)